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Para que avaliar? PDF Imprimir E-mail
Consultor aponta objetivos que devem nortear a condução dos procedimentos avaliativos nas IES
Carlos Monteiro

O processo de reflexão, desencadeado pela avaliação, tem como conseqüência levar a instituição de ensino superior a assumir a responsabilidade efetiva por sua gestão política, acadêmica e científica. Quando a instituição se conhece e reflete sobre si própria, ela toma o seu destino nas próprias mãos e não deixa que a rotina, as pressões externas ou as políticas governamentais determinem as suas prioridades e o seu cotidiano.

A avaliação da educação superior é um processo institucional sistemático e tem como objetivos básicos o autoconhecimento, a tomada de decisão e o aperfeiçoamento ou reconstrução. O autoconhecimento pode conduzir à melhoria da qualidade do funcionamento da instituição, de suas atividades, das ações desenvolvidas por todos os sujeitos, em todos os processos de ensino, de pesquisa, de extensão e de gestão.

ESCOLHER E DECIDIR
A tomada de decisão, por sua vez, é a ação inerente à avaliação, ou seja, conhecidas as estratégias que deram certo, é necessário tentar disseminar e generalizar o sucesso. Por outro lado é necessário deixar de reproduzir as velhas fórmulas, modificar radicalmente o que funciona mal ou com baixa qualidade e elaborar alternativas para a introdução de novos caminhos.

É, portanto, uma atividade intrínseca a cada instituição e ao sistema de educação superior como um todo, pois interfere e produz efeitos em seu funcionamento presente e futuro. A avaliação tem importante papel na identificação dos fatores que interferem - favoravelmente e negativamente - na qualidade, oferecendo subsídios bastante claros para a tomada de decisão, isto é, para a formulação de ações pedagógicas e administrativas que tenham como finalidade alcançá-la.

Aperfeiçoamento ou reconstrução implica, necessariamente, a melhoria da qualidade do ensino, da pesquisa, da extensão e da gestão universitária. A auto-avaliação não visa à punição nem à premiação, ao contrário, busca aperfeiçoamento e sua ação central é a da reconstrução. A eventual premiação, como estímulo ao mérito, não é desaconselhável, pois não causa dano. A punição deve ser considerada após a clara oportunidade para a recuperação ou revigoramento ter sido efetivada.

A avaliação institucional é global, porque envolve todas as atividades e instâncias da instituição ou do conjunto das instituições do sistema, seus sujeitos (alunos, professores e técnico-administrativos) e seus "produtos", isto é, o conhecimento, a interpretação de mundo, as tecnologias que produz e dissemina diretamente por meio da qualificação profissional e da divulgação científica e, também, pela extensão.

Um processo de avaliação institucional bem conduzido irá atender às principais exigências da instituição de ensino superior contemporânea, quais sejam: manter um processo contínuo de aperfeiçoamento do desempenho acadêmico; instituir uma ferramenta para o planejamento da gestão universitária e sustentar um processo sistemático de prestação de contas à sociedade.

O processo de avaliação não deve ser considerado apenas como uma exigência legal, mas, sobretudo, como condição sine qua non para a construção e o aprimoramento da prática democrática e participativa, que resulte numa instituição de ensino superior voltada para a formação de profissionais em contínua interação com a sociedade. Para tanto não pode prescindir de uma metodologia quantitativo-qualitativa que:

- Instale e acione um sistema de coleta de informações centralizadas e descentralizadas, que de modo ágil e preciso leve a dados relevantes para efeito de diagnóstico, controle e autoconhecimento;
- Permita analisar, explicar e compreender os fenômenos acadêmico-pedagógicos com vistas à superação de dificuldades e transformação da realidade educacional;
- Permita oferecer modelos analíticos e interpretativos com vistas à obtenção de inferências a partir de indicadores quantitativos fidedignos.

É necessário garantir que a avaliação não seja praticada de forma burocratizante, empobrecendo seu potencial educativo, evidenciador das mudanças necessárias para que o ensino superior possa reencontrar sua identidade e cumprir seu real papel social, diante de uma realidade caracterizada pela incerteza do futuro. O sucesso das políticas públicas de avaliação passa pelo respeito e reconhecimento da importância do projeto institucional, único referencial capaz de qualificar o conceito de qualidade de ensino que se pretende construir no interior dos estabelecimentos de ensino. É para o conjunto de atores que compõem esse cenário que a avaliação deve fazer sentido, para que eles possam igualmente dar sentido ao seu trabalho pedagógico, sem perder de vista o contexto social em que este se insere.

A Avaliação Institucional caracteriza-se, portanto, como uma pesquisa-ação, buscando, ao mesmo tempo em que faz uma diagnose da realidade contextual da instituição, também intervir no sentido de aperfeiçoar sua qualidade, ou seja, explicitar e redimensionar o seu papel técnico- científico, político e social, enfim, a sua missão.

A Avaliação Institucional é um requisito básico para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional.

Carlos Monteiro é diretor presidente da CM Consultoria

Fonte: http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=11807
 

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